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Sete anos depois do crime

Pai e avó de Eduarda Shigematsu vão a júri popular nesta quarta-feira em Maringá

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
16 set 2026 às 14:59

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Foto: Reprodução
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Mais de sete anos após a morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos, Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia, pai e avó paterna da menina, sentarão no banco dos réus do Tribunal do Júri de Maringá (Noroeste), nesta quarta-feira (16). Eduarda morreu no dia 24 de abril de 2019 e teve o corpo encontrado quatro dias depois, enterrado na garagem de um imóvel da família, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).


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Imagens de câmeras de segurança mostram Ricardo saindo da residência por volta das 13h32 do dia 24, em um Gol. Segundo a acusação, ele já transportava o corpo da filha no porta-malas. Quatro minutos depois, outra câmera registrou o veículo chegando ao imóvel onde Eduarda seria enterrada. O próprio Ricardo admitiu durante a investigação que colocou o corpo no carro e o levou até o local, embora negue ter matado a filha.


Ricardo é acusado de homicídio triplamente qualificado (por asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio), com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica e está preso desde abril de 2019.


Em depoimento à PCPR após a prisão, Ricardo disse que encontrou a filha morta, enforcada, e que, desesperado e com medo de ser responsabilizado, decidiu enterrar o corpo. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou a conclusão e afastou a hipótese de suicídio.


Terezinha responde pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Segundo o Ministério Público, ela já sabia da morte da neta quando registrou o boletim de ocorrência que comunicava o suposto desaparecimento, no dia 25 de abril. A acusação também sustenta que ela ajudou a manter o cadáver oculto e forneceu informações falsas que desviaram as buscas. Terezinha nega as acusações e afirma que soube da morte apenas no dia em que o corpo foi encontrado. Ela ficou quase dois meses presa, mas foi solta em junho de 2019 e, desde então, responde ao processo em liberdade.


A avó chegou a ser impronunciada em primeira instância, em agosto de 2020, mas o TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) acolheu recurso do Ministério Público e determinou que ela também fosse levada ao Tribunal do Júri pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O tribunal, por outro lado, rejeitou o pedido da assistência de acusação para que Terezinha também respondesse perante os jurados pelo homicídio.


Entre idas e vindas, foram oito adiamentos no total desde 2022, quando começaram as tentativas de realização do júri. Após pedidos e recursos sobre o local do julgamento, o processo saiu de Rolândia e foi transferido inicialmente para Londrina. Posteriormente, uma nova decisão levou o júri para Maringá. Entre os episódios está a suspensão, por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), da sessão que ocorreria em março de 2023, em Rolândia.


Outros adiamentos ocorreram já em Maringá. O júri chegou a ser marcado para 4 de agosto de 2026, mas foi cancelado por falta de magistrado para conduzir os trabalhos. A expectativa apurada pela reportagem é de que o julgamento, que começa nesta quarta-feira, seja longo e possa seguir até quinta (17) ou sexta-feira (18).


Família


A tia de Eduarda, Juliane Pires, afirmou que a família passou por longos períodos de espera, dor e frustração, sobretudo devido aos oito adiamentos do júri.


“A cada adiamento, nossa esperança diminuía um pouco mais, porque, além da ausência que já carregamos para sempre, precisávamos conviver com a incerteza de quando finalmente teríamos a oportunidade de ver a história da nossa menina ser julgada. Hoje, apesar de toda a aflição que esse momento nos traz, permitimos que a esperança volte a existir”, disse Juliane, que pontuou que não busca vingança, mas “justiça, verdade e respeito” após a morte da sobrinha.


“Depois de oito adiamentos, tudo o que esperamos é que, desta vez, o julgamento aconteça. Estaremos lá por ela, pela nossa família e pela esperança de finalmente vermos a Justiça cumprir o seu papel. Por nossa eterna Duda”, completou.


Como foi o julgamento


O júri popular começou na manhã desta quarta-feira, por volta das 10h, com um corpo de jurados formado por quatro homens e três mulheres. Ricardo foi até Maringá para ser julgado, mas Terezinha está participando remotamente do julgamento.


Antes do início do júri, o advogado Douglas Rocha, que representa Ricardo, afirmou que o réu mantém desde o começo do processo a versão de que encontrou a filha já sem vida. "O Ricardo confirma a mesma tese inicial, de que ele teria encontrado a Eduarda já sem vida e teria, sim, realizado a ocultação do cadáver. O porquê desse desespero dele será esclarecido também no plenário.”


O advogado Mauro Valdevino, que representa a avó, disse que Terezinha registrou o boletim de ocorrência tardiamente, mas que é comum o entendimento de que seria necessário esperar 24 horas para comunicar a polícia. “Ela não fugiu à responsabilidade de acionar as autoridades.” Quanto à acusação de ocultação de cadáver, o defensor disse que “é impossível”.


“Nas imagens que foram captadas no dia que o veículo entrou naquela casa e a criança enterrada, mostra-se claramente que a senhora Terezinha não estava ali, que ela estava no local de trabalho dela, e tem testemunhas nos autos. O caso dela é de absolvição.”


Nas primeiras horas da sessão, uma investigadora do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) que atuou nas buscas por Eduarda foi ouvida em plenário. Durante a tarde, foi a vez de um médico-legista prestar depoimento. A previsão é que sete testemunhas sejam ouvidas.


No intervalo para o almoço, a mãe de Eduarda, Jéssica Pires, falou com a imprensa e cobrou justiça pela morte da filha.


“Olha, foi muito difícil, muito difícil. Eu faço tratamento com psicólogo, psiquiatra, toda semana. Na verdade, eu só estou existindo. Eu espero que depois desse julgamento eu consiga sentir pelo menos um pouco de alívio, para conseguir seguir minha vida”, afirmou Jéssica, que ficou frente a frente com Ricardo pela primeira vez desde a prisão dele. “Eu acredito que ele poderia ser julgado em qualquer cidade que teria o mesmo resultado.”


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Até o fechamento deste texto, o júri ainda não havia sido encerrado. (Texto atualizado 18h40)

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